Para gays chechenos não há escolha: “É MENTIR OU MORRER”

f6985b2e00c93d2924ed5630a12d68822cbd6b09Moscou – Ilya, um jovem de 20 anos, foi espancado e torturado por homens com uniforme militar na região russa da Chechênia. Ele conseguiu fugir para Moscou, mas ainda teme pela vida pela simples razão de ser gay: “Na Chechênia não temos escolha senão mentir ou morrer.”

O jovem encontra-se escondido numa pequena casa perto de Moscou com outros cinco homens chechenos. Os seis escaparam ao que dizem ser uma brutal campanha contra gays pelas autoridades na região muçulmana do Cáucaso. Todos eles se recusaram a dar os verdadeiros nomes pelo receio de que alguém os possa reconhecer e procurá-los.

Se algum de meus familiares descobrir que sou gay, não hesitará um minuto antes de me matar, afirmou Nortcho, outro homem de 28 anos, “e se não fizer isso, suicida-se por não ter cumprido a honra da família, numa clara alusão aos chamados “crimes em defesa da honra, em que indivíduos considerados infratores são mortos pela própria família.

Apesar da negação por parte do Kremlin, Olga Baranova, presidente da associação russa LGBT Network, afirmou que tem recebido de “três a quatro pedidos de ajuda por dia” e que a ONG já conseguiu retirar 20 pessoas do local e removê-las para Moscou.

Ilya está agora a mais de 1.800 Km de distância da sua casa e se assusta sempre que passa um carro perto da casa onde se encontra escondido. “Ao me ajudar, a LGBT Network me ofereceu apenas um adiamento, porque eles vão acabar me encontrando, desabafa Ilya ‘calmamente’.

Em outubro passado, Ilya foi levado para um campo e espancado por três homens com uniforme militar. Como resultado, uma cicatriz enorme pode ser vista no seu rosto. Eles filmaram tudo e me disseram que o vídeo acabaria nas redes sociais se não pagasse 200 mil rublos (€3.400). Pedi o dinheiro emprestado e paguei.

Mas depois disso viu-se obrigado a fugir para Moscou de qualquer maneira. Alguns soldados foram ver a minha mãe e disseram-lhe que eu era gay. Estou apavorado, não consigo dormir desde que fugi.

Outro homem, que se recusou sequer a dar um pseudônimo, disse que deixou a Chechênia há duas semanas. Explicou que também é incapaz de dormir desde então, assombrado pelo medo de que sua esposa e seu filho venham a descobrir que é gay. Em março, ele foi mantido “em uma prisão não oficial” por uma semana e afirmou: “Havia outros homens gays na cela, alguns deles tinham sido espancados. Quando fui solto, percebi que isso significava que eu deveria sair o mais rápido possível.

tchetchc3a9nia20homofobia20polc3adtica

Apesar das várias denúncias e das mais variadas fontes jornalísticas, o Ministério Público da Rússia abriu formalmente uma investigação na segunda-feira, mas a promotora de direitos humanos, Tatyana Moskalkova, disse que não havia relatos de tais pessoas desaparecidas pela polícia, investigadores ou promotores. Negando assim todas as denúncias feitas pelo jornal independente Novaya Gazeta. A repórter Irina Gordiyenko, uma das jornalistas que publicaram a história, recebeu uma ameaça de morte por parte de um líder religioso pela sua investigação. Gordiyenko diz que Ramzan Kadyrov, líder da República da Chechênia, governa com tirania absoluta e com o consentimento tácito do Kremlin: É isso que está no cerne do problema: a impunidade das autoridades chechenas.

550aed14eab8ead4660069ee-2400

Os relatos dos abusos têm levado a condenação internacional e ativistas têm acusado as autoridades russas de fechar os olhos a estas atrocidades por medo de perturbar Kadyrov justamente numa região onde Moscou lutou duas guerras separatistas sangrentas.

A embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Nikki Haley, disse que estava “perturbada” pelos relatórios divulgados.

Tanya Lokshina, da Human Rights Watch, afirmou que bastaria “um telefonema do Kremlin para Kadyrov parar as detenções.” Relembrou também que “as pessoas LGBT são particularmente vulneráveis na Chechênia, porque, além de temerem as autoridades, também temem a própria família.

Com os relatos surgindo em maior número é também cada vez mais difícil as autoridades chechenas esconderem o que está acontecendo naquele país. É, poortanto, tempo de pressionar e divulgar, é crucial que os meios de comunicação divulguem estas notícias e lhes dêem a devida atenção, para que a pressão política cresça e sejam tomadas medidas que acabem com está situação absolutamente cruel e desumana que está acontecendo hoje na Europa. É tempo de afastar fantasmas e nos tornarmos melhores do que aquilo que já fomos. Por ‘Ilya’. Por ‘Nortcho’. E por todas as pessoas que continuam a ser perseguidas, torturadas e assassinadas pelo simples fato de serem quem são. Por elas. Por nós.

Fontes: AFP e esqurever
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s