Simeon Solomon: Um artista gay perseguido e esquecido

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Simeon Solomon

Na Inglaterra vitoriana do final do século XIX, nada poderia causar mais desgraça na vida de um homem gay do que ser acusado de manter relações sexuais com outro homem. Foram centenas de prisões, condenações e perseguições que, invariavelmente, levavam esses homens ao suicídio ou – em sua grande maioria – a casamentos de fachada.

O pintor pré-rafaelita, Simeon Solomon, foi um dos casos mais notórios quando, em 13 de fevereiro de 1873, foi preso pelas autoridades britânicas por por ter relações sexuais num banheiro público de Londres com George Roberts, um funcionário público de sessenta anos. Os homens foram acusados de indecência e tentativa de praticar sodomia. Ambos foram condenados a dezoito meses de prisão. No entanto a pena acabou sendo reduzida à vigilância policial para Solomon.O incidente, entretanto, teria consequências trágicas para a carreira artística de Solomon.

Nascido em Londres, em 9 de outubro de 1840, oitavo e último filho do comerciante Meyer Solomon e da artista Kathe Leveyde, Simeon pertencia a uma proeminente família de judeus, uma das poucas aceitas em Londres. Dois dos seus irmãos foram também pintores: Abraham Solomon (1823-1862) e Rebecca Solomon (1832-1886).

Simeon Solomon revelou-se um artista precoce. Quando tinha dez anos começou a receber lições de pintura do seu irmão Abraham e aos doze anos começou a frequentar a Carey’s Art Academy. Em 1854, com catorze anos, ingressou na Royal Academy Schools; a partir de 1857 estabelece amizades com vários artistas da Irmandade Pré-Rafaelita, como Dante Gabriel Rossetti, Algernon Charles Swinburne e Edward Burne-Jones.

Os seus primeiros trabalhos – Isaac Offered (1858), Saul (1859), Moses in His Mother’s Arms (1860), Shadrach, Meschach and Abednego (1863) – refletem a sua herança judaica, representando passagens bíblicas ou rituais do judaísmo. Outras obras denotam personagens andróginas e alusões homoeróticas, como em Sappho and Erinna in a Garden at Mytelene (1864) ou Sad Love (1866). A partir daí passou a ser patrulhado, não só pela polícia, mas como também por outros artistas e denunciado por suspeita de ser homossexual, o que era crime sem direito a fiança naquela época.

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Simeon Solomon by Frederick Hollyer

Após a prisão e condenação, a maioria dos amigos artistas e donos de galerias o abandonaram. Sem dinheiro e perseguido, Solomon tornou-se alcoólatra e se afastou da família. Morreu na mais absoluta pobreza em 1905. Durante décadas suas obras ficaram esquecidas. Só a partir da década de 1970, com os movimentos pelos direitos civis em efervescência é que seu trabalho foi redescoberto.  A sua relevância para o movimento dos pré-rafaelitas foi, durante muito tempo, relegado ao ostracismo e só recentemente valorizada pelos historiadores de arte.

Fontes: Focus – Wikipédia
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