A esperança de ter uma vida melhor e a dura realidade do gay sírio que tenta asilo na Holanda

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AMSTERDÃ: Há muito tempo que Omar sonhava em fugir da discriminação na Síria. Embalado pelas imagens exuberantes das Paradas do Orgulho Gay em Amsterdã, ele partiu com a ideia de encontrar uma nova vida na cidade holandesa, depois de fugir da guerra em seu país.

Mas, quatro meses depois de chegar na Holanda, o rapaz de 20 anos ficou chocado ao se encontrar sendo vítima de insultos, provocações e intimidação por parte de seus companheiros de viagem.

“Vir para a Holanda, que é um país onde há liberdade de se expressar, e ser intimidado por ser uma pessoa gay, foi completamente louco para mim”, disse Omar em inglês à Agence France-Presse.

Ele está entre os mais de 54.000 refugiados que chegaram aos Países Baixos em 2015. Primeiro ele foi de barco para a Grécia e, em seguida, voou para a Holanda em setembro com um passaporte espanhol falso.

“Foi surpreendente perceber que, essas pessoas, depois de fazer uma viagem longa e cansativa, ao chegar lá ainda são capazes de me assediar e me perturbar “, disse ele.

A experiência de Omar não é a única, vários outros refugiados gays encontraram-se presos entre as perspectivas culturais conservadoras de famílias de refugiados, e a atitude mais tolerante dos holandeses.

A Holanda foi o primeiro país no mundo a legalizar o casamento gay, ainda em 2001, mas a aceitação da diversidade sexual não tem sido a norma em centros de refugiados holandeses.

Omar, que era estudante de direito na Síria, foi obrigado a descobrir que os campos de asilo não faziam jus às suas expectativas, para ele foi um choque.

“Eu li vários artigos que diziam que a Holanda era muito tolerante com gays e que Amsterdã é a capital da comunidade LGBT. Eu vi as imagens das Paradas do Orgulho Gay”.

Mas a realidade é que Omar foi insultado e ameaçado por outros refugiados. “Eles ameaçaram me matar, eles disseram que eu era a vergonha dos refugiados, eles me empurraram na fila para tomar o café”.

Intimidados e isolados, muitos outros como Omar não se atrevem a sair de seus quartos. Passam horas lá ouvindo música em seus fones de ouvido e com medo de sair.

“Eu tive a sorte de não ser atacado fisicamente”, disse Omar, que finalmente encontrou abrigo graças à Lianda, uma lésbica holandesa de 25 anos que lhe ofereceu um quarto.

De acordo com a COC, uma associação que defende os direitos dos homossexuais, alguns refugiados homossexuais tiveram experiências ainda piores, incluindo ser abusado sexualmente. O AD, diário holandês, relatou que alguns tiveram suas roupas incendiadas ou camas manchadas com alimentos e fezes.

Um outro grupo chamado Secret Garden, revelou que dois refugiados gays tentaram cometer suicídio. Um homem gay ficou tão assustado, que dormiu durante uma semana na floresta em torno do centro, o AD disse que, assim como Omar, o rapaz teve a sorte de encontrar um lugar para ficar, graças a uma outra holandesa acolhedora.

Entre meados de outubro e final de dezembro, o COC disse que recebeu 14 denúncias de maus-tratos ou abuso de refugiados gays, em comparação com a média de uma ou dua por mês. “Nós desconfiamos que esta seja apenas a ponta do iceberg”, disse o diretor do COC, Koen van Dijk. A maioria dos gays se recusa a apresentar queixas oficiais ou a falar publicamente, com medo de represálias ou por não saberem a quem recorrer.

Em uma tentativa de protegê-los, Amsterdã abriu duas novas casas em outubro e em dezembro com capacidade para cerca de uma dúzia de pessoas como medida de emergência. O COC saudou a iniciativa, mas insiste que este deve ser uma medida temporária.

Agora, aqueles que estão alojados provisoriamente em casas seguras, serão alocados em centros mais adaptados às suas necessidades. Cinco foram colocados em uma ala separada de um centro menor, onde qualquer tentativa de abuso pode ser mais facilmente detectada e tratada.

A ONG holandesa que recebe e faz a triagem dos refugiados, COA, tem procurado educar outros requerentes de asilo sobre a necessidade de tolerância. Em casos extremos, a polícia pode ser chamada. A COA considera gays um grupo “vulnerável”, juntamente com as crianças ou vítimas de violência doméstica.

Omar acredita que só vai realmente começar uma nova vida, quando lhe tiver sido concedido o asilo. Mas ele já está fazendo novos amigos entre a sociedade holandesa.

“Eu esperava encontrar pessoas que me aceitassem do jeito que eu sou, e eu já encontrei”, disse ele com um sorriso. “Andar na rua de mãos dadas com seu namorado sem temer o que as pessoas irão fazer, é ótimo.”

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2 comentários sobre “A esperança de ter uma vida melhor e a dura realidade do gay sírio que tenta asilo na Holanda

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